Autor: ozeda

  • PORTAS ABERTAS | uma conversa sobre anarcopunk, vida e liberdade, com PENNY RIMBAUD

    PORTAS ABERTAS | uma conversa sobre anarcopunk, vida e liberdade, com PENNY RIMBAUD

    Entrevistas realizadas em uma visita à Dial House (Essex/Inglaterra) em 2016, seguida de uma visita de Penny Rimbaud a São Paulo em 2017 para uma tour de palestras em algumas cidades do Brasil. Uma conversa sobre os inícios do Crass e a cena anarcopunk da Inglaterra, suas motivações e propostas, uma crítica à expressão vazia e comercial gerada pelos Sex Pistols, The Clash e outrxs neste mesmo momento, vegetarianismo e veganismo, a vida conectada à terra e suas possibilidades, e algo mais.
    Em tempos onde cada vez mais, muitxs “punks” deixam de se importar com qualquer outra coisa que não seja musical e estética, é sempre necessário recordar nossas expressões contraculturais e as experiências que se deram em várias geografías. Nem mais nem menos importantes, o ponto aquí não é gerar ídolos, nem bandas “lendárias” como agora tantxs querem pintar a esta ou aquela banda.

  • Curta – O dia que Dorival encarou a guarda – 1986

    Curta – O dia que Dorival encarou a guarda – 1986

    Militares Nunca Mais!

    O Dia em que Dorival Encarou a Guarda é um filme de curta-metragem brasileiro, de 1986, dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart. A obra é uma adaptação do oitavo episódio do livro O Amor de Pedro por João, de Tabajara Ruas.[2] A trilha sonora original do filme foi feita por Augusto Licks.

  • ENTREVISTA COM A ANARQUISTA EMMA GOLDMAN

    ENTREVISTA COM A ANARQUISTA EMMA GOLDMAN

    Emma Goldman concedeu ao jornalista Joseph Walsh do Pathe News. Após um exílio de 15 anos, Goldman é entrevistada e fala sobre diversas temáticas, como o fascismo, o mundo do trabalho americano e a iminência de uma nova guerra. Emma Goldman (1869-1940) foi uma anarquista de origem russa que, em 1885, fugindo do autoritarismo moral de sua família judia, emigrou para Rochester, Estados Unidos da América. Inspirada pelo ideal daqueles que morreram na Revolta de Haymarket, Goldman muda-se para Nova York em 1892. Ali, conheceu Alexandre Berkman e se aproximou mais diretamente dos círculos anarquistas. Inicialmente, contribuiu no periódico Die Freiheit, no Die Autonomie e no Free Russia. Tornou-se, ainda em finais do século XIX, oradora pública conhecida, realizando palestras por diversas regiões. Entre 1893 e 1895, cumpriu pena na Blackweel’s, sob a acusação de incitar a desordem. Em 1906, fundou a revista Mother Earth. Em 1910, publicou “Anarchism and Other Essays”. Devido suas críticas a Primeira Guerra, é presa e, posteriormente, deportada dos Estados Unidos, chegando na Rússia em 1919 e ali permanecendo até 1921. Em 1923, publica “My Disillusionment in Rusia”. Já em 1931, lançou sua autobiografia “Living My Life”. Durante a guerra civil espanhola, apoiou ativamente a luta antifascista. Faleceu em Toronto, Canadá, em 1940.

    fonte: @historiacomanil

  • bolo’bolo

    bolo’bolo

    p.m.

    Transcription of a video by O. Ressler,
    recorded in Zurich, Switzerland, 24 min., 2004

    Símbolo equivalente ao conceito de bolo


    A idéia original de criar esta linguagem secreta maluca me veio porque a terminologia de esquerda européia já não era mais viável. Hoje, quando as pessoas falam sobre comunismo, é gulag, ninguém quer saber nada a respeito. Ou, se falam sobre socialismo, então se referem à política de Schröder ‘ cortes nas aposentadorias ‘ e ninguém tampouco se interessa. E todas as demais expressões estandardizadas, tais como “solidariedade”, “comunidade”, estão todas contaminadas e não têm mais utilidade. Entretanto, as coisas que defendem na verdade são muito boas. Eu não tenho intenção de sofrer por causa de terminologia, pela qual não sou culpado; em vez disso, prefiro criar meu próprio jargão. Seria mais complicado explicar que o comunismo sobre o qual estou me referindo não é aquele que presenciei. É mais fácil dizer que sou um bolo-bolo, e aí as pessoas começam a pensar tudo de novo e a repensar as coisas.

    Nasci na Suíça e moro em Zurique. Minha tarefa principal é lecionar numa escola secundária e sempre fui politicamente ativo nas minhas horas livres. Sou um velho ativista de 1960; estava lá, nas demonstrações anti-Vietnã e tudo aquilo. Mais tarde também estive com os sem-teto e tomei parte nos movimentos antinucleares. Fiquei um pouco envolvido em tudo que aconteceu. E então, de alguma maneira, o movimento cessou; ainda havia um movimento sem-teto em Zurique, e também sei que muitas casas em Genebra foram ocupadas, mas a coisa foi calmamente dominada pela polícia. Depois não restou mais nada lá. Seguiu-se, então, um clima depressivo, como costuma acontecer depois de tais movimentos cíclicos. Naquele momento eu disse: vou escrever tudo o que ainda devemos considerar como importante. Fiz uma lista, como a de natal, uma longa lista de coisas que ainda considero que vale a pena — colocar na meia.

    Aí eu li a lista e vi que parece bem chata agora. Por exemplo, coisas como “queremos viver juntos, uns com os outros, em solidariedade”, “não queremos crescimento econômico”, ou “queremos respeitar o meio ambiente”. São todas aquelas chatices sócio-ecológicas que podem ser encontradas em plataformas de partidos. Eu queira espanar isso um pouco, por isso pensei, OK, vou inventar uma utopia. Porém não é, de maneira nenhuma, uma utopia. Conheço todas as utopias. Na maneira como são descritas, são de certo modo atraentes. Mas fiquei também sumamente fascinado pelo arredondamento, ao submergir em outros mundos com sua própria terminologia. Pensei: consigo vender essas coisas de maneira bem melhor, essas noções desejadas, se eu as dissimular como utopias.
    Por isso inventei esta linguagem. “bolo-bolo” realmente não quer dizer nada a não ser comunismo. É simplesmente uma tradução; tratam-se de sistemas de sons polinésios. Certa vez estive em Samoa e gostei muito de lá. Há certos paralelos lá, remanescentes de sociedades relativamente intactas, portanto aí estava o meu livro.

    Devo enfatizar que não existe uma única idéia nova nesse livro. Tudo se refere a algo que já tinha encontrado. É possível chegar ao bolo, à unidade por meio de várias direções, à unidade básica de como as pessoas podem conviver juntos com alguma sensibilidade sem destruir o planeta, seus nervos e seus produtos. Uma abordagem é a comunicação: quando as pessoas não conseguem falar racionalmente umas com as outras, elas se tornam dependentes de autoridades em escalões mais altos, têm de ter supervisores para realizar sua comunicação. Compreendemos, por exemplo, a teoria da comunicação que diz que ela pode funcionar informalmente com até 150 pessoas, o que significa que não são necessárias quaisquer estruturas. Fica, então, muito confortável e existem muito mais argumentos que o necessário, pelo fato de a comunicação ser tão fácil. Por isso cheguei a uma unidade básica, uma reunião, que deve ser relevantemente maior que 150. Digo que 500 não seria mau, 400, 600, 700 ou 800. Aí existe outro limiar que precisa ficar por volta de 1000, após o que se torna necessário delegar, para organizar. Tal administração exigira, então, um comitê e um certo nível profissional. Aqui chegamos ao domínio de uma burocracia estruturalmente necessária. E eu não gosto disso; a coisa cresce rapidamente, porque ninguém controla a burocracia, para que ela realmente faça aquilo que você quer. E esses órgãos de controle são, novamente, susceptíveis de corrupção e têm de ser monitorados; fica bem complicado.
    Para mim, a janela encontra-se em algum lugar entre a organização social sensível do conforto das 150 pessoas e aquela, desconfortável e incipiente, das 1 000 pessoas. Têm de estar nesse meio-termo: esse é o caminho. Outro caminho poderia ser algo mais ecologicamente orientado. Os problemas ecológicos do planeta ficam no Norte, onde carecemos de aquecimento e onde criamos um projeto urbano que exige transporte em automóveis, por exemplo. Se a gente quiser se livrar disso, se quisermos reduzir o consumo de energia a um nível globalmente aceito, então aproximadamente um quinto do consumo presente teria de ser realçado aqui. Não estou falando do Sul; lá eles já usam 100 vezes menos energia que nós. Quanto a isso, não enfrentam problemas; eles talvez tenham um problema oposto. Vão ter que crescer para atingir um quinto da energia consumida. Mas, se a idéia é consumir menos energia, então não é mais possível ter carros, ou casas de uma única família, as pessoas terão de se movimentar conjuntamente. Então será possível pensar num tamanho de casa que seja mais fácil de isolar e menos custosa de aquecer. Os prédios se tornarão cada vez mais compactos, porque então o relacionamento da superfície externa com a quantidade é a mais eficiente. Isso quer dizer que é no Norte, por exemplo, nos Estados Unidos, que as pessoas morando em casas pequenas e suburbanas teriam de mudar para palácios “do povo”, ou eco palácios, mais fáceis de aquecer. Eu sempre digo que é possível fazer uma tipologia abertamente concreta, que naturalmente a gente tem que encarar com ironia. Todos nós temos que morar em edifícios que têm oito andares, cerca de 100 metros de comprimento por 20 de largura. Esta monstruosidade de concreto é uma necessidade ecológica.

    Eu sempre começo com este bolo urbano ocidental. Nunca dito regras de como outras pessoas devem se organizar. Simplesmente pego a Suíça como exemplo, mas dá no mesmo para o resto da Europa ocidental. Como organizar a agricultura em conjunção com essas estruturas urbanas? Minha sugestão, e também a de muitas pessoas que vem estudando ecologia e agronomia, é a seguinte: na Europa ocidental, para suprir as necessidades de um bolo assim, necessitaríamos de 90 hectares do tipo de terreno que temos aqui. Numa cidade média como Zurique, esses 90 hectares podem ser encontrados num raio de cerca de 30 km em volta da cidade, aqui haveria espaço. Isso continua disponível, se não construirmos e pavimentarmos tudo em breve. E então seria possível, num sentido puramente esquemático, designar cada bolo para uma fazenda de 90 hectares. Isso é um cálculo bem generoso, porque na Suíça as fazendas medem, em média, 15 hectares, na Áustria talvez sejam um pouco maiores. Embora se tratem de unidades relativamente grandes, isso não significa que grandes áreas tenham de ser convertidas em fazendas. Essas teriam, intrinsecamente, estruturas bem diferenciadas, onde seria possível produzir tudo, de batatas a leite. Isso permitiria atingir uma boa eficácia ecológica, porque um caminhão pequeno ‘ ou talvez mesmo um vagão de trem ‘ teria de viajar apenas uma vez por semana entre a área rural e a urbana. Para a viagem de retorno, poderiam carregar fertilizantes. Então seria possível desenvolver um sistema em que as pessoas morando no bolo poderiam também trabalhar na área rural. Seria muito mais eficaz que o sistema de suprimento de supermercados de hoje, onde se está lidando com uma série de transportes intermediários, em centros de distribuição, e então, novamente em supermercados, e aí ainda temos de ir ao supermercado. No caso de bolos, cada bolo seria um supermercado, com departamentos de terras diversificadas, suficientemente grandes para desenvolver fazendas economicamente. Não se pode continuar com a agricultura de hoje porque ela só funciona com grandes suprimentos de petróleo, produtos químicos e outras coisas. São necessárias fazendas biologicamente mistas, onde se possa combinar plantios diversos na mesma área, de modo a se fertilizarem entre si. Não estes imensos campos monótonos; isso não funcionaria mais. Mas uma agricultura mista, assim, exige muito mais mão-de-obra que hoje ‘ o que é bastante bom ‘ talvez três vezes mais. Isso, porém, não é muito, porque na Suíça a agricultura utiliza mais ou menos 3% da força de trabalho, portanto então seriam cerca de 10%. Porém, nesse meio tempo, todos os bancos teriam sucumbido e haveria mais gente suficiente para entrar no sistema.
    O que eu descrevi agora é o sistema; entretanto, eu o faria de modo diferente. Talvez seja bem mais divertido quando bolos diferentes em áreas diversas de terras troquem suas coisas entre si, para que não se tenha que comer sempre a mesma coisa. Certas coisas podem ser intercambiadas globalmente. Temperos, por exemplo, são bem leves e eficazes, ou óleo de oliva, nozes, tâmaras e todo tipo de queijo e lingüiça, vinho, é claro; tratam-se de produtos altamente concentrados, sem restrições ecológicas em termos de transporte.

    A forma mais simples de intercâmbio é o presente. É também a mais perigosa, especialmente para quem o recebe. Esta troca é possível quando alguém é relativamente independente. O bolo possui uma soberania básica; na Suíça temos um ditado ‘ ser suficientemente independente para ser generoso. Em termos marxistas, não é necessário investigar se você presenteou valores demais. Há uma ampla variedade de presentes. E, uma vez que se assume que o bolo existe em todo lugar, doar significa um tipo de honra para esses bolos, o que significa que, em retorno, eles também podem receber algo. Essa seria uma importante forma de intercâmbio, que não fica especificamente presa a qualquer commodity. Pode-se dar de tudo; tempo, poemas ou o que se queira.
    Provavelmente, o aspecto mais importante desse sistema que estou descrevendo seja o arranjo de troca permanente. Chamo isso de “feno.” Significa, por exemplo, que existem contratos de troca com bolos vizinhos. Se se quiser concretizar isso em termos suíços, então: você conserta nossa janela porque você tem uma oficina de consertos de janelas, nós consertaremos suas instalações sanitárias, de modo que cada bolo tem todo tipo de oficina de reparos.
    Eu tenderia a ver uma terceira forma de intercâmbio num nível mais alto; eu me refiro àqueles sacolões de bairro ou centros de atacados da cidade. É possível descrever isso como socialismo ou comunismo. Os bolos de uma cidade, de um modo geral, carecem de mercadorias que não podem eles mesmo produzir, ou que necessitem apenas ocasionalmente. Eles possuem, por exemplo, um depósito central de atacado para maquinaria e quando necessitam de determinada máquina, vão lá e apanham. Seriam, portanto, serviços comunitários, como temos hoje com a água, a eletricidade, e certas commodities, como sal e açúcar, que exigem grandes volumes e têm de ser produzidos de alguma maneira centralizada. Seria possível distribuí-los de graça, porque todo mundo necessita da mesma quantidade, de qualquer maneira. Isso já seria possível hoje. Primeiro, eu descreveria algo assim como socialismo, ou até comunismo: todo mundo pega o que precisa e produz o que pode. Então, naturalmente, haveria a variável de troca por dinheiro; isso certamente estaria presente. Acho que o dinheiro é importante para mercadorias que não sejam utilizadas assim tão freqüentemente, que são produzidas especialmente ou sob medida. Isso funcionaria mais eficientemente em nível de vizinhanças, bairros, vilarejos ou cidades, de modo que é possível ter mercados ou bazares onde as pessoas podem trazer coisas como jóias, roupas, CD’s, arte, substâncias especiais, remédios, cosméticos e todo tipo de coisas interessantes. As pessoas poderiam ser membros de bolos ou vendedores-viajantes, e aí entra o dinheiro. O tipo de moeda realmente não interessa, pode ser moeda local ou um dólar globalizado ou cartão de crédito, como queiram. Realmente não importa; dinheiro não é perigoso, como objeto. Eu diria que dinheiro é perigoso somente quando se permite que alguém desenvolva sua própria dinâmica num setor de necessidade, tal como fornecimento de alimentos, por exemplo.

    Se tivéssemos agora atingido essas condições ecológicas, por exemplo, 20% do consumo de energia, então ainda seria possível ter alguns carros no ambiente. Num bolo, talvez ainda existiriam 20% de carros, que as pessoas poderiam alugar. Isso seria suficiente, já que se tem de dirigir apenas uma vez ou outra. Mas será dificilmente necessário dirigir, porque não haveria razão para as pessoas irem a qualquer lugar. Significa que o número de automóveis seria reduzido umas dez vezes, a indústria automotiva quase que acabaria, como também todos os bancos que a financiam. Ao mesmo tempo, a indústria petrolífera entraria em colapso e deixaria de existir. Por outro lado, a indústria de eletrodomésticos se encolheria proporcionalmente, porque, por exemplo, seria possível lavar toda a roupa em uma única lavadora do bolo, o que seria 8 vezes mais eficiente que uma máquina de lavar normal. Todo o entretenimento eletrônico que ainda existisse por aí poderia continuar, só que não seriam mais necessários tantas máquinas. Na realidade, a indústria high-tech se reduziria só em termos de consumo. Seria preciso 10 vezes menos de tudo. E então temos apenas o aspecto de onde e como produzir o restante com maior eficiência. A resposta aqui é completamente clara: subcontinentalizar. Por exemplo, caminhões seriam montados num local, digamos, no sul de Varsóvia, para todos os bolos ou cidades entre os Montes Urais e o Atlântico. E seriam produzidos apenas módulos. Módulos médios, grandes e pequenos, um motor e então em bolos ou cidades haveria montagem dos módulos para fazer o que fosse necessário. Isto já ocorre hoje no terceiro mundo. Todos os ônibus de transporte público são feitos lá. O chassis é construído lá e tudo o que se fornece é o motor e o câmbio. Já é uma tecnologia eficiente. Como funcionaria? Faria isso simplesmente com dinheiro: as pessoas pagam. Naturalmente, você poderia agora perguntar: como é possível obter dinheiro? Existe, é claro, uma única opção: ou você paga pelo produto ou tem uma quota. E preciso alguma quantidade de caminhões e então os trabalhadores, que produzem caminhões, são pagos por nós indiretamente, por meio de dinheiro ‘ mas, na verdade, não se precisa de muito. Pode-se obter dinheiro, caso seja necessário, se a pessoa optar por vender parte das commodities, parte da força de trabalho ou dos produtos agrícolas, em troca de dinheiro. Isto cria, automaticamente, um mercado subcontinental, se for tentado.

    Quando as pessoas moram perto, existe um controle social intrínseco que não exige nenhuma imposição organizada. Seria apenas tipo: que é que você está querendo de novo? A vigilância é simplesmente muito maior. Isso é lindo, no sentido em que previne um bocado de comportamento social danoso, e é possível reduzir a força policial. Eu diria que a polícia poderia ser reduzida a um décimo de seu tamanho atual. O problema, então, seria inverso: se eu me apresento como “ibu,” como uma pessoa, quanto desse controle social consigo suportar ? Isso poderia ser também um problema. O negócio é a proporção da mesclagem. Quando não há controle social, então surgem as condições do gueto; caos e anarquia — no pior sentido ‘ e é necessário um policial em cada andar. Isso não é bom. Mas é preciso, da mesma maneira, ter algum espaço para que seja possível às pessoas se defenderem desse controle interno. Um aspecto de espaço é o tamanho. Se houver 500 pessoas, então é fundamental que o anonimato seja assegurado. Aí é possível fazer as coisas, os bolos podem ter várias entradas e saídas, a fim de que ninguém veja você. Em bolos menores, tal controle se converteria num pesadelo, um bolo maior seria melhor. Os bolos podem fazer contratos de bolo global. Eu posso me mudar a qualquer hora, depois de aviso, e um bolo sim, outro não, tem capacidade livre para pessoas que simplesmente queiram se tornar hóspedes, mas talvez para ficar. Posso me mudar de qualquer lugar para qualquer lugar. Isso evitaria que as pessoas ficassem muito adstritas ao controle social, porque então teriam receio de que eu me mudasse.

    Quando se começa a falar em bolos, o perigo é vê-los como construções isolacionistas, um pouco como as grandes comunas dos anos 70. Mas eu gostaria de me afastar disso completamente. Para mim, pode-se dizer que os bolos são organizações eficientes de civis. Você entra com um contrato e sai da mesma forma. Talvez você traga sua riqueza consigo, mas também a leva quando sai. Não são comunas. Também, dentro, talvez haja famílias ou grupos em coletividade e pessoas sozinhas; todos têm sua própria esfera privativa. Poderiam também existir bolos onde as pessoas querem dormir em dormitórios imensos, não se poderia evitar isso ‘ também está OK. Mas também poderiam existir instituições monásticas. O que se precisa, naturalmente, é um contrato planetário de bolo e, para mim, 10% do espaço de moradia e alimentação, em cada bolo, seriam reservados a hóspedes para contrabalançar essa tendência isolacionista. Cada bolo tem que se abrir, de certo modo.

    Tradução: Itaucultural Institute, Sao Paulo

  • Manifesto dos Makhnovists

    Manifesto dos Makhnovists

    Este movimento foi a manifestação da Revolução Russa de 1917 na Ucrânia, onde tomou uma forma libertária e onde os trabalhadores e camponeses lutaram tanto contra os exércitos czaristas contrarrevolucionários quanto os bolcheviques autoritários.

    Manifesto dos Makhnovists, escrito em 1918 por Nestor Makhno.

    Vitória ou morte. Isto é o que confronta os camponeses da Ucrânia no momento atual da história. Mas nem todos morreremos. Há muitos de nós. Nós somos a humanidade. Portanto, devemos vencer – vencer não para que possamos seguir o exemplo dos últimos anos e entregar nosso destino a algum novo mestre, mas para tomá-lo em nossas próprias mãos e conduzir nossas vidas de acordo com nossa própria vontade e nossa própria concepção de verdade.

    Os meses de fevereiro e março [1918] foram um tempo para a distribuição de gado e equipamentos apreendidos dos proprietários de terras no outono de 1917 e para dividir as propriedades desembarcados entre os voluntários, os camponeses e os trabalhadores organizados em comunas agrícolas. Que este foi um momento decisivo, tanto na construção de uma nova vida quanto na construção da defesa, ficou evidente para todos os labutadores do distrito. Ex-soldados de linha, sob a liderança do Comitê Revolucionário ocupado com a transferência para um fundo comunitário de todos os equipamentos e gado das propriedades dos proprietários e dos pequenos agricultores ricos, deixando seus proprietários dois pares de cavalos, uma ou duas vacas (dependendo do tamanho da família), um arado, um esoruça, um cortador de grama e um garfo, enquanto os camponeses foram para os campos para terminar o trabalho de redistribuir a terra iniciada no outono anterior. Ao mesmo tempo, alguns dos camponeses e trabalhadores, já tendo se organizado em comunas rurais no outono, deixaram suas aldeias com suas famílias e ocuparam as primeiras propriedades dos proprietários, ignorando o fato de que os destacamentos da Guarda Vermelha do bloco de esquerda bolchevique tinham, de acordo com seu tratado com os imperadores austríacos e alemães, já evacuou a Ucrânia, deixando-a para lutar com suas pequenas formações cívico-militares uma batalha desigual contra unidades regulares austríacas e alemãs assistidas por destacamentos da Rada Central ucraniana. Eles se estabeleceram lá, no entanto, não perdendo tempo em preparar suas forças: parte para continuar o trabalho de primavera nas comunas, e parte para formar destacamentos de batalha para defender a revolução e seus ganhos, que os toilers revolucionários, se não em todos os lugares, então em muitos distritos, ganharam por si mesmos passo a passo, dando assim um exemplo para todo o país.

    As comunas agrícolas eram, na maioria dos casos, organizadas por camponeses, embora às vezes sua composição fosse uma mistura de camponeses e operários. Sua organização foi baseada na igualdade e solidariedade dos membros. Todos os membros dessas comunas – homens e mulheres se aplicaram voluntariamente às suas tarefas, seja no campo ou na casa. As cozinhas e salas de jantar eram comuns. Mas qualquer membro da comuna que quisesse cozinhar separadamente para si e seus filhos, ou para pegar comida da cozinha comum e comê-la em seus próprios aposentos, não se encontrou com nenhuma objeção dos outros membros da comuna.

    Todos os membros da comuna, ou mesmo um grupo inteiro de membros, poderiam organizar assuntos de comida como eles achavam melhor, desde que informassem a comuna com antecedência, para que todos os membros soubessem disso e pudessem fazer os preparativos necessários na cozinha e armazém comunitários. Por experiência própria, foi necessário que os membros da comuna se levantassem em tempo há uma vez pela manhã para cuidar dos bois, cavalos, outros animais, e realizar outros tipos de trabalho. Um membro poderia a qualquer momento se ausentar da comuna, desde que ele desse aviso prévio disso aos camaradas com quem ele trabalhou mais de perto em tarefas comunitárias, para que este pudesse lidar com o trabalho durante sua ausência. Esse foi o caso durante os períodos de trabalho. Mas durante os períodos de descanso (domingo foi considerado um dia de descanso) todos os membros da comuna se revezavam para sair em viagens.

    A gestão de cada comuna foi conduzida por uma assembleia geral de todos os seus membros. Após essas reuniões, cada membro, tendo sua tarefa nomeada, sabia o que muda fazer nela e assim por diante. Apenas a questão da escolaridade na comuna não foi precisamente definida, pois as comunas não queriam ressuscitar o antigo tipo de escola. Como um novo método, eles se estabeleceram na escola anarquista de F. Ferrer1 (sobre a qual os relatórios eram frequentemente lidos e folhetos distribuídos pelo Grupo de Anarquistas-Comunistas), mas não tendo pessoas devidamente treinadas para isso eles procuraram através do Grupo de Anarquistas-Comunistas para obter camaradas mais educados das cidades e apenas como último recurso para convidar para suas escolas comunitárias professores que conheciam apenas os métodos tradicionais de instrução.

    Havia quatro dessas comunas agrícolas num raio de três ou quatro milhas de Gulyai-Polye. Em todo o distrito, no entanto, havia muitos. Mas eu vou pensar nessas quatro comunas porque eu mesmo tive um papel direto na organização delas. Em todos eles, os primeiros começos frutíferos ocorreram sob minha supervisão, ou, em alguns casos, em consulta comigo. Para um deles, talvez o maior, eu dei meu trabalho físico dois dias por semana, durante a semeadura da primavera nos campos atrás de um arado ou escoamento, e antes e depois de semear em trabalho doméstico nas plantações ou na oficina mecânica e assim por diante. Os quatro dias restantes da semana trabalhei em Gulyai-Polye no Grupo de Anarquistas-Comunistas e no Comitê Revolucionário do distrito. Isso foi exigido de mim por membros do grupo e por todas as comunas. Foi exigido também pelo próprio fato da revolução, que exigiu o agrupamento e a união das forças revolucionárias contra a contrarrevolução que avançava do ocidente sob a forma de exércitos monarquistas alemães e austro-húngaros e da Rada Central ucraniana.

    Em todas as comunas havia alguns anarquistas camponeses, mas a maioria dos membros não eram anarquistas. No entanto, em sua vida comum, sentiram uma solidariedade anarquista, como se manifesta apenas na vida prática de labutas comuns que ainda não provaram o veneno político das cidades, com sua atmosfera de decepção e traição que sufoca até mesmo muitos que se autodenominam anarquistas. Cada comuna consistia de dez famílias de camponeses e trabalhadores, totalizando cem, duzentos ou trezentos membros. Essas comunas tomaram tanta terra quanto foram capazes de trabalhar com seu próprio trabalho. Os equipamentos de pecuária e fazenda foram alocados por decisão dos congressos distritais dos comitês fundiários.

    E assim os trabalhadores livres das comunas começaram a trabalhar, ao som de canções livres e alegres que refletiam o espírito da revolução e daqueles lutadores que a profetizavam e morriam por ela ou que viviam e permaneceram firmes na luta por sua “justiça superior”, que deve triunfar sobre a injustiça, crescer forte, e se tornar o farol da vida humana. Eles semearam seus campos e cultivaram seus jardins, confiantes em si mesmos e em sua firme determinação de não permitir o retorno daqueles que nunca trabalharam na terra, mas que a possuíam pelas leis do Estado e estavam buscando possuí-la novamente.

    Os habitantes das aldeias e aldeias que margeiam essas comunas, que eram menos politicamente conscientes e ainda não libertavam de sua servilidade para os kulaks, invejavam os comunards e expressavam repetidamente o desejo de tirar todos os animais e equipamentos que haviam obtido dos antigos proprietários e distribuí-lo entre si. “Deixe os comunhões livres comprá-lo de volta de nós”, eles diriam. Mas esse impulso foi severamente condenado pela maioria absoluta dos labutadores em suas assembleias de aldeias e em todos os congressos. Para a maioria da população labutava viu na organização das comunas rurais o germe saudável de uma nova vida social que, à medida que a revolução triunfou e se aproximava de seu clímax criativo, cresceria e forneceria um modelo de uma forma de vida livre e comum, se não para todo o país, então pelo menos para os povoados e aldeias do nosso distrito.

    A ordem comunitária livre foi aceita pelos habitantes do nosso distrito como a mais alta forma de justiça social. Por enquanto, no entanto, a massa de pessoas não foi até ela, citando como suas razões o avanço dos exércitos alemão e austríaco, sua própria falta de organização e sua incapacidade de defender essa ordem contra as novas autoridades “revolucionárias” e contrarrevolucionárias. Por esta razão, a população labuiliante do distrito limitou sua verdadeira atividade revolucionária a apoiar em todos os sentidos aqueles espíritos ousados entre eles que haviam se estabelecido nas antigas propriedades e organizado sua vida pessoal e econômica em linhas comunitárias livres.

    NOTA DE RODAPÉ

    1 Francisco Ferrer (1859-1909), fundador da Escola Moderna, que promoveu um espírito de independência e espontaneidade entre os alunos. Ferrer, um respeitado libertário, foi julgado em 1909 sob a acusação de conspirar contra o rei espanhol e fomentar a rebelião em Barcelona.

    traduzido: Manifesto dos Makhnovists | libcom.org

  • A.L.F. – O que é a Frente de Libertação Animal?

    A.L.F. – O que é a Frente de Libertação Animal?

    O que é a Frente de Libertação Animal?

    Desde a experimentação animal e a agricultura fabril até laboratórios de pesquisa e o comércio de peles, a questão do abuso e exploração animal tem sido uma questão espinhosa, com a ação direta de muitos grupos de libertação animal fazendo algumas manchetes dramáticas. E na vanguarda da causa desde a década de 1970 tem sido um notório grupo de campanha conhecido como ALF – ou Frente de Libertação Animal.Para ler mais sobre o ALF e manter-se atualizado com as últimas notícias, clique aqui.

    Originalmente formada por um pequeno e apaixonado grupo de ativistas animais do Reino Unido, a ALF tornou-se uma rede mundial de indivíduos anônimos ainda ativos e comprometidos em proteger os direitos dos animais hoje. O uso de ações diretas para destacar sua causa – predominantemente através da liberação de animais, bem como danos e destruição de bens – levou a inúmeras ações penais ao longo dos anos. No entanto, seu objetivo permanece o mesmo: acabar com o abuso e a exploração animal.

    Se você concorda ou discorda de suas ações, ou nunca ouviu falar da ALF, aqui está o que você precisa saber sobre a Frente de Libertação Animal.

    A Frente de Libertação Animal é um grupo de direitos dos animais comprometido em acabar com o abuso de animais, realizando campanhas de ação direta contra as organizações que eles acreditam serem os autores da exploração e crueldade. Eles acreditam que todos os animais têm o direito de viver uma vida livre de sofrimento e, particularmente, visam aqueles que buscam explorar animais para ganhos financeiros.

    Laboratórios científicos, instituições de pesquisa, fazendas de peles e fazendas fabris são apenas alguns dos tipos de organizações a serem alvo da ALF, muitas vezes por destruição de propriedade, resgate de animais e filmagem disfarçada da crueldade animal que ocorre.

    A configuração organizacional da ALF reflete a natureza clandestina de suas táticas e campanhas de ação direta. A Frente de Libertação Animal não tem hierarquia ou líder, na verdade a ALF se orgulha do que chama de seu modelo de “resistência à liderança”.

    Esse modelo significa que não há organização centralizada ou coordenação; em vez disso, a Frente de Libertação Animal consiste em muitos pequenos grupos autônomos de pessoas ao redor do mundo que optam por realizar uma ação direta de acordo com as diretrizes originais da ALF:

    1. Libertar animais de lugares de abuso e colocá-los em boas casas onde eles possam viver suas vidas naturais, livres de sofrimento
    2. Para causar danos àqueles que lucram com a miséria e exploração dos animais
    3. Para revelar o horror cometido contra animais atrás de portas trancadas, realizando ações não violentas e libertação de animais
    4. Tomar todas as precauções necessárias contra prejudicar qualquer animal – humano e não humano.

    Devido ao risco potencial de sua ação ser contra a lei, esses grupos ou indivíduos trabalham anonimamente e não há adesão formal da ALF. Em suma, os indivíduos tomam a decisão de agir em nome da Frente de Libertação Animal.

    Ação direta – a Frente de Libertação Animal concentra sua atenção no resgate de animais, bem como na perda financeira dos exploradores dos animais, geralmente através dos danos e destruição de suas propriedades. Ao fazê-lo, os ativistas da ALF acreditam que também estão trabalhando para acabar com o “status de propriedade de animais não humanos”.

    Desde sua formação no início da década de 1970, a Frente de Libertação Animal tem destacado a questão inpalatável da exploração animal, iluminando os horrores da pesquisa e experimentação animal, a crueldade da agricultura de fábrica e peles e a necessidade de todos os animais terem proteção e uma vida livre de sofrimento desnecessário. Apenas algumas das campanhas de ação direta da ALF incluem o lançamento de um filme feito a partir de imagens secretas de experimentação animal em um laboratório da Universidade da Pensilvânia, um lançamento altamente divulgado de minks de uma fazenda de peles de Oregon e a campanha Stop Huntingdon Animal Cruelty.

    “Todas as precauções necessárias” – proeminentes entre os princípios norteadores da Frente de Libertação Animal são que eles não são violentos e que todas as precauções necessárias devem ser tomadas contra prejudicar qualquer animal – “humana ou não-humana”. No entanto, eles aceitam que suas ações “podem ser contra a lei” já que seu objetivo de longo prazo é forçar organizações de abuso de animais e empresas a sair do negócio e expor “o horror cometido contra animais atrás de portas trancadas”.

    O compromisso da ALF com a ação não violenta tem sido questionado em inúmeras ocasiões, com as ações de alguns de seus ativistas vistas como ameaçadoras e até prejudiciais às pessoas. Embora ninguém tenha sido morto por ação direta da ALF, houve incidentes registrados de ataques incendiários e intimidação que tem cada vez mais lançado uma longa sombra sobre a organização e seu objetivo de acabar com o abuso de animais.

    Em 1991, o FBI nomeou a Frente de Libertação Animal como uma ameaça terrorista doméstica (é considerada como extremismo de interesse especial), seguida pelo Departamento de Segurança Interna em 2005. No Reino Unido, as ações da ALF são consideradas exemplos de extremismo doméstico e são monitoradas pela Unidade Nacional de Coordenação Tática do Extremismo.

    No entanto, a PETA – uma organização ativista legal que faz campanhas pelo tratamento ético dos animais, acredita que a ALF e suas ações descobriram crueldade animal horrível que de outra forma teria passado despercebida.

    “Eles resultaram no arquivamento de acusações criminais contra laboratórios, na citação de experimentadores por violações da Lei de Bem-Estar Animal e, em alguns casos, no fechamento de laboratórios abusivos para sempre. Muitas vezes, as incursões da ALF têm sido seguidas pela condenação científica generalizada das práticas que ocorrem nos laboratórios alvo.” PETA.orgPara ler mais sobre o ALF e manter-se atualizado com as últimas notícias, clique aqui.

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  • O Dia Mundial da Bicicleta surgiu por causa do LSD

    O Dia Mundial da Bicicleta surgiu por causa do LSD

    Difícil imaginar, mas foi por causa da descoberta dos efeitos de uma droga, o LSD que se comemora o Dia Mundial da Bicicleta. Esta história curiosa está na animação A Bicycle Trip, do  italianos Lorenzo Veracini, Nandini Nambiar e Marco Avoletta, de 2007.

    A animação é baseado no livro LSD: my problem child, do químico suíço Albert Hoffmann, o primeiro cientista a sintetizar, experimentar e entender os efeitos da dietilamida do ácido lisérgico. Ele trabalhava nos laboratórios farmacêuticos da Sandoz pesquisando substâncias que pudessem ser usadas no tratamento de hemorragias pós-parto. No dia 19 de abril de 1943, Hoffmann resolveu experimentar 250 microgramas (µg, a milionésima parte de uma grama) do composto, obtido a partir de um fungo do centeio (atualmente se considera uma dose limite 20µg). Sentindo fortes alucinações, foi de bicicleta procurar o médico – em plena Segunda Guerra Mundial, bicicletas eram bem mais populares que os carros.

    Até 1966, o LSD e a psilocibina eram fornecidos pelos Laboratórios Sandoz gratuitamente para cientistas interessados sob a marca chamada “Delysid”.O uso destes compostos por psiquiatras para obterem um entendimento subjetivo melhor de como era a experiência de um esquizofrênico foi uma prática aceita. Muitos usos clínicos foram conduzidos com o LSD para psicoterapia psicodélica. O LSD foi inicialmente utilizado como recurso psicoterapêutico e para tratamento de alcoolismo e disfunções sexuais. Entretanto, entre os seus efeitos estão a psicose, fadiga, esquizofrenia, depressão e alucinações agudas, o que levou os governos britânicos e norte-americanos a tentar usar a substância em experimentos relacionados a controle da mente. O que também não deu muito certo.

    Com o aumento do uso com fins recreativos, a droga foi proibida em 1966 no Estado americano da Califórnia. Dois anos depois, foi banida no resto dos Estados Unidos. Em 1971, o LSD foi categorizado pela ONU como droga que não deveria ser prescrita para uso médico.

    fonte: A bicicleta e o LSD (comunicaquemuda.com.br)

    Saiba mais sobre “História social do LSD no Brasil: os primeiros usos medicinais e o começo da repressão”

    https://nigrakorodistro.com/loja/historia-social-do-lsd-no-brasil-os-primeiros-usos-medicinais-e-o-comeco-da-repressao/
  • Ay Carmela

    Ay Carmela

    Esta canção da Guerra Civil Espanhola, celebra os duros combates do Exército do Ebro contra os mouros, mercenários e fascistas.
    Em Portugal, era muitas vezes designada por “Ay Carmela, ay Carmela”, o que representa a recuperação de uma música datada do século XIX e originariamente composta em 1808 contra a invasão francesa na Guerra da Independência Espanhola.

    Viva la quinta brigada
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    Que nos cubrirá de glorias
    Ay, Carmela, ay, Carmela

    Luchamos contra los moros
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    Mercenarios y fascistas
    Ay, Carmela, ay, Carmela

    El ejército del Ebro
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    La otra noche el río cruzó
    Ay, Carmela, ay, Carmela

    Y a las fuerzas invasoras
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    Buena paliza les dio
    Ay, Carmela, ay, Carmela

    En los frentes de Granada
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    No tenemos días lunes
    Ay, Carmela, ay, Carmela

    Ni tenemos días martes
    Rumba, la rumba, la rumba, la
    Con los tanques y granadas
    Ay, Carmela, ay, Carmela

  • Ferrer y Guardia – A Escola Moderna

    Ferrer y Guardia – A Escola Moderna

    A Escola Moderna foi um movimento pedagógico progressivo de inspiração libertária que existiu no início do século XX, surgido inicialmente na Catalunha inspirado pela filosofia de ensino do pedagogo catalão Francisco Ferrer y Guardia.

    Fundação

    Fundada em 1901 na cidade de Barcelona por um grupo de ativistas, pedagogos e apoiadores entre eles Francisco Ferrer e Anselmo Lorenzo, a escola tinha como objetivo “educar a classe trabalhadora em um ambiente racional, laico e não coercitivo”. Apesar deste a admissão de estudantes vindos das classes médias foi maior do que das classes baixas. A escola era mantida em caráter privado que naquele tempo era considerado um princípio para ação revolucionária, seus estudantes eram motivados a se tornarem articuladores das classes trabalhadoras.

    A Escola Moderna de Barcelona foi fechada no ano de 1906, pouco tempo depois que seu idealizador Francisco Ferrer y Guardia havia sido executado pelo Estado espanhol por sedição.

    Internacionalização

    A partir da execução de Ferrer e da tradução e divulgação de suas ideias acerca da pedagogia em diversos idiomas, coletivos estabelecidos no Argentina, Brasil, Canadá, Cuba, Estados Unidos, França e Inglaterra fundaram centenas de escolas modernas e publicações de periódicos em seus países. Geralmente de caráter experimental, vinculados a sindicatos e jornais libertários, e encontrando grande oposição por parte das autoridades, estes coletivos foram responsáveis pela formação de milhares de crianças em um ensino laico, pacífico, racional e libertário, se contrapondo a tendência dogmática e violenta do ensino tradicional geralmente vinculado a instituições religiosas.

    Entre os docentes e apoiadores que fizeram parte das escolas modernas em diferentes países estavam intelectuais e ativistas, que cada qual a sua forma e a seu tempo, tornaram-se referenciais políticos ou científicos para as gerações posteriores. Entre eles destacam-se Emma Goldman, Will Durant, João Penteado, Adelino Pinho e Oreste Ristori.

    Princípios

    Para dar impulso a este movimento reformador, foi criada em 1906 a Liga Internacional para a Instrução Racional da Infância, cujos princípios estatutários estabeleciam:

    A educação da infância deve fundamentar-se sobre uma base científica e racional; em consequência, é preciso separar dela toda noção mística ou sobrenatural;
    A instrução é parte desta educação. A instrução deve compreender também, junto à formação da inteligência, o desenvolvimento do caráter, a cultura da vontade, a preparação de um ser moral e físico bem equilibrado, cujas faculdades estejam associadas e elevadas ao seu máximo de potência;
    A educação moral, muito menos teoria do que prática, deve resultar principalmente do exemplo e apoiar-se sobre a grande lei natural da solidariedade;
    É necessário, sobretudo no ensino da primeira infância, que os programas e os métodos estejam adaptados o mais possível à psicologia da criança, o que quase não acontece em parte alguma, nem no ensino público nem no privado.
    As Escolas Modernas comumente compreendiam também cursos noturnos para a educação de adultos. Por ser anticlerical e fomentar a solidariedade e a educação livre de autoridade coerciva, os anarquistas foram grandes adeptos deste movimento. Os sindicatos e associações operárias nos quais tinham influência contribuíram ativamente para a fundação de várias Escolas Modernas e cursos para adultos baseados em sua filosofia pedagógica.

    Escolas Modernas no Brasil

    Escola Nova, fundada em 1909 à Av. Celso Garcia, 262, São Paulo
    Escola Moderna N°1,fundada em 1912, sob direção de João Penteado, localizada à Rua Saldanha Marinho, 58, São Paulo
    Escola Moderna do Ceará, fundada em 1911, à Rua Major Fecundo, 186, Fortaleza
    Escola Moderna N°2, fundada em 1912 à Rua Müller, 74, sob direção de Adelino de Pinho São Paulo
    Escola Moderna de Petrópolis, fundada em 1913
    Escola Moderna de Bauru
    Escola Moderna de Porto Alegre, funcionava em 1919 à Rua Ramiro Barcelos, 197
    Escola Racional Francisco Ferrer, fundada em 1919, em Belém do Pará
    Nova Escola, fundada em 1920, no Rio de Janeiro
    Escola Livre, fundada em 1920 pelos Operários em Fábricas de Tecidos de Petrópolis
    Outras escolas que empregaram métodos semelhantes aos da Escola Moderna, no Brasil:

    Escola Eliseu Réclus, de Porto Alegre
    Escola da União Operária de Franca, fundada em 1912 por Teófilo Pereira
    Escola noturna da Liga Operária de Sorocaba, fundada em 1912
    Escola Operária 1° de Maio, localizada em Vila Isabel e depois em Olaria, Rio de Janeiro
    Universidade Popular de Cultura Racional e Científica, fundada em 1915, anexa à Escola Nova de São Paulo, e que oferecia cursos preparatórios para professores
    Escola Joaquim Vicente, fundada em 1920, em São Paulo
    Escola Profissional, fundada em 1920 por iniciativa da União em Fábricas de Tecidos, no Rio de Janeiro
    Escolas para Operárias do Centro Feminino Jovens Idealistas (duas), fundadas em 1920 à Rua Borges de Figueiredo, 37, e à Rua Joli, 125
    Escola da Liga da Construção Civil, fundada em 1920, em Niterói
    Grupo Escolar Carlos Dias, “órgão do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes dos Trabalhadores em Geral”, em Salvador

    Repressão à Educação Libertária

    No início dos anos 1920, a fundação do Partido Comunista Brasileiro e a repressão do movimento operário pelo governo de Artur Bernardes atingiu em cheio a base de sustentação das Escolas Modernas, que dependiam primariamente de organizações e militantes anarquistas. Na mesma época (1919), em meio a uma campanha de difamação, as autorizações de funcionamento das Escolas Modernas de São Paulo foram cassadas. Assim a imprensa católica da época (A Gazeta do Povo) descreveu as Escolas Modernas:

    todo mundo já sabe que em São Paulo trata-se de fundar uns institutos para a corrupção do operário, nos moldes da Escola Moderna de Barcelona, o ninho de anarquismo de onde saíram os piores bandidos prontos a impôr suas idéias, custasse embora o que custou. Ora, uma tal casa de perversão do povo vai constituir um perigo máximo para São Paulo. E é preciso acrescentar que não somos só nós os católicos que ficaremos expostos à sanha dos irresponsáveis que saíssem da Escola Moderna.

    Há, no entanto, vasta informação historiográfica da época confirmando que algumas das escolas modernas e seus educadores continuaram atuando em São Paulo após este período de repressão naquele estado, porém usando nomes como o de Escola Nova, para driblar as autoridades. Além disso, pela cronologia da fundação das escolas modernas no Brasil, acima exposta, nota-se que elas proliferaram em outros estados do Brasil.

    Retirado de www.anarquista.net

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